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Country / Entrevista

Malu Anchieta transforma desafio pessoal em propósito de vida no Agro

Depressão do marido a levou a assumir a fazenda da família; hoje, ela lidera núcleos de inclusão feminina no setor e trabalha em prol da saúde mental no campo

CARAS Country Publicado em 06/05/2024, às 17h56

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Malu Anchieta - Foto: Arquivo Pessoal
Malu Anchieta - Foto: Arquivo Pessoal

A força da troca de conhecimento como ferramenta fundamental de desenvolvimento do Agro é o que move Mariluce Teixeira Duarte de Anchieta, mais conhecida como Malu, na liderança de núcleos de inclusão feminina no setor. Com uma história marcada por apoio mútuo e superação, ela também é referência na defesa de uma causa importante: os cuidados com a saúde mental no campo, especialmente na prevenção e tratamento da depressão.

Natural de Birigui, em São Paulo, Malu teve seu primeiro contato com o mundo agrícola quando iniciou o namoro com seu marido, o administrador de fazendas Frederico Camargo, 52 anos. "Meu universo era outro. Trabalhava como modelo, trabalhava na loja de tecidos dos meus pais... Naquela altura, não me encantei pelo universo agro. Pelo contrário: reclamava que as roupas do Frederico cheirassem a terra", lembra, rindo. 

Em 2004, a família se mudou para Astorga, no Paraná, onde Frederico assumiu a gestão da fazenda de milho, soja e trigo de seus pais. Recebida com muito carinho pela vizinhança, Malu encontrou ali um verdadeiro lar, onde se focou na criação dos filhos Maria Fernanda Anchieta, 21 anos, e Frederico Camargo de Anchieta Filho, 16 anos – ambos hoje envolvidos no dia a dia da fazenda.

A imersão definitiva de Malu no Agro só veio 18 anos depois da chegada no Paraná, como resposta a um desafio pessoal: a depressão do marido. SPara apoiá-lo, ela passou a se envolver ativamente nas operações da fazenda. O que começou como um ato de suporte ao esposo logo se transformou em um amor genuíno pelo trabalho, impulsionado pelo entendimento de que o cuidado e a dedicação são os alicerces de qualquer empreendimento bem-sucedido.

Não faltaram obstáculos pelo caminho. “Na teoria, gerir uma fazenda é lindo e maravilhoso; na prática, é outra coisa! Tive que realmente me fazer presente e aprender com os meus erros, que fazem parte”, conta Malu. Como uma das poucas mulheres em um ambiente predominantemente masculino, ela enfrentou desafios para ser reconhecida por sua competência e seu papel no campo. No entanto, sua ética, determinação e parcerias estratégicas com funcionários e cooperativas locais pavimentaram o caminho para seu sucesso.

Em busca de maior conhecimento técnico, Malu iniciou sua graduação em Administração na faculdade Faast, em Astorga mesmo, e passou a frequentar palestras e cursos sobre o Agro. Como muitoas deles eram voltados para mulheres, a produtora acabou se envolvendo ativamente no movimento de inclusão feminina no campo. “Acredito em um futuro para o Agro em que as mulheres desempenharão papeis cada vez mais proeminentes, tanto nas operações, quanto na gestão”, diz. 

Hoje, Malu é a coordenadora regional da Comissão Estadual de Mulheres da Federação de Agricultura do Estado do Paraná (Faep), cuja missão é fortalecer a representatividade da mulher no agronegócio e em sindicatos rurais. Também é Membro do Conselho Consultivo da Cooperativa Cocamar e Coordenadora de Núcleo do Sicredi Dexis de Astorga, duas iniciativas que promovem espaços de colaboração para o crescimento do Agro. Assim, lidera núcleos femininos da sua região e contribui para o futuro que tanto almeja. “Grupos de mulheres por todo Brasil são muito importantes, pois são neles que trocamos experiências, dúvidas e conhecimento”, salienta.

A fazendeira reforça que nunca esteve sozinha em sua jornada de aprendizagem agrícola. Além das tantas mulheres cooperadas que a inspiraram, Fred esteve com ela a todo momento, para tranquilizá-la de que tudo, no tempo certo, daria resultado. Quando o quadro depressivo teve uma melhora significativa e ele retornou, aos poucos, para sua atividade, a gestão da fazenda passou a ser compartilhada. As decisões agora são tomadas em conjunto, desde a divisão de planejamentos até a escolha das variedades a serem plantadas. É a forma que encontraram para potencializar o negócio – somando as experiências e visões de cada um.

Toda essa trajetória em torno da depressão de Fred fez com que Malu encontrasse um propósito maior: colocar em pauta questões de saúde mental no campo, especialmente a depressão, que muitas vezes passa despercebida entre os desafios diários da agricultura. Sua experiência pessoal serve como um lembrete poderoso, de que o apoio mútuo e a comunicação aberta são fundamentais para o bem-estar de toda família agrícola.

Malu Anchieta com sua família - Foto: Arquivo Pessoal
Malu Anchieta com sua família - Foto: Arquivo Pessoal

Malu Anchieta - Foto: Arquivo Pessoal
Malu Anchieta - Foto: Arquivo Pessoal